CBD e Parkinson | Como usar e benefícios

CBD e Parkinson

CBD e Parkinson | Como usar e benefícios

CBD e Parkinson

Resumo:

  • A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico que causa tremores e problemas de movimento.
  • Não há cura para a doença, portanto o tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas.
  • O CBD é um composto bioactivo do cânhamo que tem vindo a despertar o interesse de cientistas e médicos devido aos seus potenciais benefícios para a saúde.
  • A investigação centrada no CBD e na doença de Parkinson ainda está numa fase inicial, mas alguns resultados são promissores.

A doença de Parkinson é uma perturbação crónica e progressiva do movimento que afecta cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ocorre quando as células nervosas do cérebro morrem ou deixam de funcionar correctamente, originando problemas de movimento, equilíbrio e coordenação.

A doença evolui geralmente de forma gradual, e muitas pessoas só procuram um diagnóstico quando os sintomas se tornam evidentes ou começam a interferir com a sua vida diária. Nesta fase, a doença pode já estar avançada.

Embora existam tratamentos disponíveis para aliviar os sintomas da doença de Parkinson, os investigadores continuam a explorar novas terapias potenciais que possam mudar a vida das pessoas. Uma dessas áreas de investigação é o CBD e a doença de Parkinson.


O CBD, ou canabidiol, é um composto natural do cânhamo que tem demonstrado potencial em várias áreas de investigação científica. Neste artigo, vamos analisar o estado actual da evidência científica para perceber se o CBD pode ajudar pessoas que vivem com a doença de Parkinson.

O que é o Parkinson?

A doença de Parkinson é uma perturbação do sistema nervoso. É neurodegenerativa, o que significa que provoca a deterioração gradual das células do cérebro e dos nervos.

A condição resulta da perda de neurónios dopaminérgicos numa parte do cérebro chamada substância negra, que se localiza nos gânglios da base do mesencéfalo.

Estes neurónios, ou células nervosas, produzem dopamina, um neurotransmissor que ajuda na comunicação entre os nervos. A perda destas células conduz a uma deficiência de dopamina no cérebro. Como a dopamina é essencial para o movimento normal, a pessoa desenvolve então tremores, o principal sintoma da doença de Parkinson.

Os especialistas não sabem ao certo porque é que algumas pessoas desenvolvem a doença de Parkinson, mas acreditam que se trata de uma combinação de factores genéticos e ambientais.

Até ao momento, não existe cura nem medicamentos capazes de alterar a progressão da doença, mas várias opções de tratamento podem proporcionar algum alívio dos sintomas.

Sintomas de Parkinson

Os sintomas da doença de Parkinson variam de pessoa para pessoa, mas o mais comum é geralmente o tremor ou abalo.

O tremor começa frequentemente numa mão ou num braço e pode progredir para a perna e o pé do mesmo lado do corpo.

O tremor pode envolver o movimento repetido do polegar contra o indicador, algo a que os médicos chamam «tremor em contar moedas». A mão também pode tremer quando está em repouso.

À medida que a doença avança, o tremor pode tornar-se mais acentuado e mais frequente.

Sintomas de Parkinson

Outros sintomas da doença de Parkinson incluem:

  • Rigidez: a rigidez muscular pode dificultar os movimentos ou a realização de tarefas simples, como abotoar uma camisa.
  • Bradicinesia: refere-se à lentidão dos movimentos. As pessoas podem demorar mais a andar, a levantar-se de uma cadeira ou a realizar outras actividades do dia a dia.
  • Instabilidade postural: as pessoas podem ter dificuldade em manter-se em pé ou equilibradas, o que aumenta o risco de quedas.

Como a doença de Parkinson também afecta o sistema nervoso autónomo, as pessoas com a doença podem experienciar:

  • Alterações na fala e na deglutição
  • Prisão de ventre
  • Sudorese excessiva ou diminuição da capacidade de suar
  • Problemas urinários
  • Problemas de pele
  • Cansaço
  • Alteração do sono

À medida que a doença progride, os sintomas podem tornar-se mais graves, e as pessoas podem ter dificuldade em realizar as tarefas do dia a dia. Nos estágios mais avançados, pode desenvolver-se demência.

CBD e doença de Parkinson: o que diz a investigação?

O CBD, ou canabidiol, é um composto natural e não intoxicante presente na planta do cânhamo. A investigação sugere que pode ajudar no alívio da dor, inflamação, problemas de sono e no bem-estar geral.

Embora grande parte da investigação seja recente e ainda limitada, alguns estudos têm mostrado resultados promissores relativamente ao CBD e à doença de Parkinson.

Dor

A dor e a inflamação podem afetar pessoas que vivem com a doença de Parkinson. Num pequeno estudo de 2014 com 22 pessoas com Parkinson, os investigadores verificaram que a cannabis medicinal ajudou a aliviar a dor.

No entanto, como a cannabis medicinal contém tanto CBD como tetraidrocanabinol (THC), não foi possível determinar qual dos compostos foi responsável pelos resultados. Estudos em animais, contudo, sugerem que o CBD isolado também poderá ter este efeito.

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Tremores

O movimento muscular descontrolado, ou distonia, é uma característica marcante da doença de Parkinson. Um estudo mais antigo, de 1986, que utilizou CBD em cinco indivíduos com distúrbios de movimento, verificou uma melhoria da distonia de até 50%. No entanto, dois participantes apresentaram um tremor em repouso agravado com doses mais elevadas.

Um estudo mais recente, de 2020, sobre CBD e Parkinson, concentrou-se nos efeitos do Epidiolex, um medicamento disponível apenas sob prescrição, nos tremores de 13 participantes. A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) do Reino Unido aprovaram este medicamento à base de CBD para o tratamento de duas formas raras de epilepsia, mas não está atualmente aprovado para a doença de Parkinson.

Os investigadores concluíram que o CBD, na forma de Epidiolex, poderia ser benéfico para a doença de Parkinson, mas alertaram que as doses relativamente altas utilizadas no estudo estavam associadas a um aumento das enzimas hepáticas. Recomendaram que ensaios clínicos randomizados de grande escala são necessários para investigar estes efeitos de forma completa.

Psicoses

Algumas pessoas com a doença de Parkinson experienciam psicose como uma complicação, especialmente nos estágios mais avançados. Os especialistas estimam que até 50% dos indivíduos com Parkinson apresentam sintomas de alucinações, delírios e confusão mental.

Pouca investigação existe sobre o CBD e a psicose relacionada com Parkinson, além de um pequeno estudo de 2009. Os investigadores analisaram os efeitos do CBD em seis pessoas que experienciavam psicose há pelo menos três meses. Concluíram que o CBD reduziu com sucesso a gravidade dos sintomas sem causar quaisquer efeitos secundários.

Sono

Os problemas de sono são comuns em pessoas com a doença de Parkinson. Estes incluem insónia, sonolência diurna e perturbação do sono REM (RBD).

Mais uma vez, a investigação sobre o CBD e os problemas de sono associados à doença de Parkinson é limitada. Contudo, um pequeno estudo de 2014, com quatro participantes, indicou que o CBD poderá ajudar a aliviar alguns destes sintomas perturbadores.

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Qualidade de vida

Viver com uma doença crónica como a doença de Parkinson pode afectar negativamente a qualidade de vida, devido aos sintomas físicos e aos efeitos sociais e emocionais da doença.

Investigadores de um estudo de 2014 analisaram se o óleo de CBD poderia ser útil. Selecionaram 21 pessoas com Parkinson sem demência ou complicações psiquiátricas. Os participantes foram divididos em três grupos: placebo, CBD 75 mg por dia ou CBD 300 mg por dia.

Embora os investigadores não tenham encontrado diferenças estatisticamente significativas nos escores motores, verificaram diferenças significativas nos escores de qualidade de vida entre o grupo placebo e aqueles que receberam 300 mg de CBD por dia. Contudo, os autores alertam que estudos com amostras maiores seriam necessários para tirar conclusões definitivas.

O CBD é seguro?

Sim, o CBD é geralmente considerado seguro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o CBD é bem tolerado e apresenta um bom perfil de segurança.

Apesar disso, tal como muitos suplementos e remédios naturais, o CBD pode interagir com medicamentos de prescrição ou de venda livre. Por isso, é importante discutir o uso de CBD com o seu médico para minimizar o risco de interações medicamentosas ou efeitos secundários.

O CBD tem algum efeito secundário?

A maioria das pessoas tolera o CBD sem problemas. No entanto, podem surgir efeitos secundários leves, tais como:

  • fadiga
  • diarreia
  • mudança do apetite
  • perda ou ganho de peso
  • sonolência
  • boa seca
  • naúseas

No entanto, é importante notar que estes efeitos secundários são frequentemente causados por exceder a dose diária recomendada ou por utilizar produtos de baixa qualidade.

Outros tratamentos comuns para a doença de Parkinson

Os médicos podem recomendar medicação, terapias de apoio como a fisioterapia, ou cirurgia para ajudar a controlar os sintomas da doença de Parkinson.

Medicação

Os medicamentos podem melhorar os sintomas principais da doença de Parkinson, como tremores e problemas de movimento.

A levodopa é um dos medicamentos mais eficazes. Trata-se de um composto natural que se converte em dopamina, ajudando a repor os níveis em falta. Apesar da sua eficácia, a levodopa pode causar efeitos secundários em alguns pacientes, como agitação, confusão e náuseas. Também pode provocar um tremor não relacionado com a doença de Parkinson.

Os médicos podem ainda recomendar agonistas da dopamina, que imitam os efeitos da dopamina, ou inibidores da MAO-B, que impedem a degradação da dopamina.

Estes medicamentos podem não ser adequados para todos e estão associados a vários riscos.

Terapias de apoio

A fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala e linguagem podem tornar a vida com a doença de Parkinson mais fácil e ajudar as pessoas a gerir os seus sintomas.

Algumas pessoas também podem beneficiar de alterações na alimentação para melhorar os sintomas. Estas mudanças podem incluir aumentar a ingestão de fibras para reduzir a constipação e fazer refeições pequenas e regulares para evitar problemas como pressão arterial baixa e tonturas.

Cirurgia

Em alguns casos, os médicos podem recomendar um tipo de cirurgia chamado estimulação cerebral profunda para tratar a doença de Parkinson.

O procedimento consiste em implantar um dispositivo semelhante a um marcapasso cardíaco na parede torácica e ligar eletrodos do dispositivo às áreas do cérebro afetadas pelo Parkinson. Uma pequena corrente elétrica estimula o cérebro, ajudando a aliviar os sintomas em algumas pessoas.

Conclusão

O CBD é um composto presente na planta do cânhamo que está a ser estudado pelos seus potenciais efeitos terapêuticos. Pesquisas iniciais sugerem que este composto bioactivo natural pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem com a doença de Parkinson.

Embora o CBD apresente potencial promissor, muitos estudos que apoiam a sua utilização são pequenos e apresentam limitações. Por isso, são necessários ensaios clínicos de grande escala para compreender melhor a relação entre o CBD e a doença de Parkinson.

Apesar de ser necessário mais investigação sobre o CBD e a doença de Parkinson, o CBD é geralmente considerado seguro. No entanto, tal como muitos suplementos e remédios naturais, pode interagir com medicamentos. Por isso, é importante falar com o seu médico antes de usar CBD, especialmente se estiver em tratamento para a doença de Parkinson.